Notícias: Finalmente, temos um novo, e atual, instrumento de gestão da inovação: a NP 4457 de 2021

 

A sociedade tem sido testemunha, e tem usufruído, de um crescente conjunto de produtos e serviços resultantes dos, significativos, investimentos que algumas empresas têm realizado nas atividades de I&D, e na sua consequente valorização, com a incorporação do conhecimento produzido nos inovadores produtos e serviços que lançam no mercado.

Pesem os efeitos da pandemia, de acordo com o Instituto Europeu de Patentes, os pedidos de patentes internacionais aumentaram 4% em 2020, para um total de 275.900, tendo a China liderado este movimento com a submissão de 68709 pedidos, seguido dos Estados Unidos com 59103.

Portugal, que, em 2020, investiu nas atividades de I&D cerca de 1.6% do PIB, submeteu 269 pedidos, tendo sido as Universidades, por exemplo a do Minho, assim como o INESC os principais contribuintes para este, importante, mas insuficiente,  conjunto de submissões.

Obviamente, que, em matéria do investimento nas atividades de I&D, ainda estamos muito afastados do objetivo estabelecido para 2030: investir 3% do PIB na produção ciência e de conhecimento, sendo 1 destes 3% da responsabilidade da Administração Púbica e os restantes 2% das empresas privadas.

É reconhecido pela generalidade das Organizações portuguesas, pese a natureza e dimensão das empresas que o constituem, que temos de evoluir na cadeia de valor, aumentar a intensidade tecnológica dos nossos produtos, reforçar o seu caracter inovador, repensar os modelos de gestão, inovar os processos de realização, …, com o propósito de nos reposicionarmos num mercado global, dinâmico, exigente, volátil e influenciado por uma crescente incerteza e por novas tendências que influenciam  o custo dos fatores de produção, assim como induzem novos desafios, tal como a descarbonização e a Transformação Digital.

Tal só será concretizado com maiores, e melhores, investimentos na produção de conhecimento, e na sua posterior valorização, sendo imprescindível fazê-lo de uma forma inteligente, inclusiva, com respeito pelas Pessoas, alinhada com as estratégias definidas por cada Organização, em cooperação com as Universidades, assim como reconhecer que a gestão da Propriedade Industrial, da cultura, do capital intelectual, do ecossistema interno e das relações externas tem de constituir uma prioridade da gestão.

A nova versão da norma NP 4457, alinhada com a estrutura da ISO 9001: 2015, usufrui dos novos conceitos e abordagens expressos no Manual de Oslo, 4ª. edição, utiliza uma linguagem facilmente compreendida pelos não especialistas e foca-se em exigências atuais, consistentes e fundamentais para as Organizações que se revêm na necessidade de melhorar a consistência, a maturidade e o desempenho dos seus modelos de gestão da inovação.

Temos uma forte expetativa que este instrumento de gestão possa atrair mais Organizações e tenha um impacto relevante na nossa balança de transações, na sustentabilidade do negócio das nossas empresas, na criação de mais riqueza, que, esperamos, seja melhor distribuída, o que contribuirá para a melhoria da qualidade de vida dos portuguesas e para a resposta a alguns dos problemas com os quais a sociedade se confronta.

Júlio Faceira

Administrador, XZ Consultores, SA

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