Memória mais Criatividade, sinónimo de Transformação Socioeconómica… Será?!

30Abril2

A imaginação e a criatividade individual associados à habilidade e ao talento, produzem criação de valor, riqueza e postos de trabalho pela via da produção de novos conteúdos nos domínios do design, artes visuais, antiguidades, na música, na dança, no artesanato, na joalharia,…, entre outros.

A Memória reflete-se na Sociedade promovendo uma Mudança Social. Esta tem sido interpretada como uma questão social, coletiva, em contraste com a criatividade, e normalmente é interpretada como uma propriedade individual. Na verdade, a Memória não é nada mais do que um processo mental de aquisição, armazenamento e resgate de informações. É a Memória que permite aprender coisas novas e relacioná-las com conhecimentos já adquiridos, formando a nossa Identidade e o conhecimento sobre o Mundo. Nós somos aquilo que criamos e recordamos…

É preciso trabalhar para a Mudança. É urgente desenvolver a Criatividade.

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Será a Cultura uma alternativa às dificuldades Socioeconómicas que o país atravessa?

Penso que a difícil situação que o país atravessa antecipa uma alteração profunda na sociedade portuguesa, e na minha opinião, esta representa claramente mais do que uma crise passageira. Nestas condições, em que as dificuldades económicas somam todo o tipo de obstáculos culturais e sociais, é difícil propor com credibilidade e assertividade um conjunto de iniciativas e medidas possíveis para minimizar os efeitos prejudiciais que a crise trouxe consigo. No entanto, é imprescindível continuar a olhar para o futuro com confiança e coragem e definir estratégias que permitam preservar a cultura e evoluir na direção certa, e cada vez mais as Escolas e as Universidades têm um papel fulcral no desenvolvimento e crescimento pessoal. São, de facto, uma fonte de riqueza, crescimento cultural e dinamismo para a sociedade e para a economia portuguesa.

Creio que a Criatividade e a Economia andam de mãos dadas, e é sem dúvida alguma, uma ligação importante para o desenvolvimento de qualquer Sociedade, isto se acrescentarmos ainda um certo toque de exclusividade, que será um dos aspetos a considerar do ponto de vista do desenvolvimento criativo do nosso país. Onde está a Criatividade? Uma Sociedade não basta parecer que é desenvolvida, criativa e economicamente viável, é preciso ser. E se for e não parecer, então não o é. No entanto, se parecer e não for, só o é, até ao dia em que as pessoas descobrirem que de faco, não o é. É menos confuso na prática…

O essencial é a cri(a)tividade Humana. A Cultura faz bem à economia, às cidades, às pessoas e à saúde e por consequente faz bem à Sociedade como um todo, no sentido de caminharmos em direção à tão desejada e cobiçada qualidade de vida, típica dos países desenvolvidos, como é o nosso (ou talvez não!). Investir na Educação é investir na Cultura!

Atualmente, e cada vez mais, surge a necessidade de dotarmos de um pensamento “CITY”- Criatividade, Inteligência, Transformação e Ideias, são os quatro ingredientes indispensáveis para fazer face aos problemas que este crescimento repentino nos trouxe como presente. Por exemplo, a criação e a implementação de máquinas no ambiente laboral têm tanto de bom,… como de mau… O número de máquinas tem aumentado significativamente quer no trabalho, quer em casa, e como é sabido estas têm capacidades superiores às do Ser Humano e as máquinas autónomas podem tornar-se fora do controlo, estas praticamente “controlam” uma parte significativa do planeta. Estamos à espera de sermos invadidos por Extraterrestres, mas eles já cá estão e fomos Nós que os criamos. Agora é imprescindível criarmos uma relação simbiótica com Eles, no sentido de extrairmos um benefício mútuo. O Ser Humano face a outras máquinas está se a tornar uma máquina obsoleta…

É possível criar valor nas coisas obsoletas?

Como devemos organizar a vida Humana numa Sociedade de Máquinas?

O Homem sonha com a máquina desde muito cedo. Máquina essa, que lhe realiza-se o maior número de tarefas com a maior eficiência e eficácia possível.

Hoje, mais do que nunca, precisamos de máquinas, para tudo: para conservar alimentos, para cozinhar, para nos divertirmos, para nos informarmos, deslocarmos, comunicarmos,…Há máquinas que nos salvam a vida, outras prolongam-na, por isso, quer queiramos quer não, temos de admitir que Elas deram-nos muito mais tempo para gozarmos o pouco tempo de vida a que temos direito. Mas também, roubaram muitos postos de trabalho…

Penso que ninguém duvida, que as máquinas facilitaram o nosso dia-a-dia, mas será que nos trouxeram vantagens reais, ou são meras vantagens artificiais?

Na realidade, há um problema associado à dependência do Homem em relação à máquina, que é a dependência da máquina em relação à energia e a consequente escassez desta, face ao elevado consumo das próprias máquinas, o qual já deu sintomas negativos, ainda que indiretamente (ou não!) pela via das guerras. Mas, se as máquinas existem é por culpa do Homem, e são benéficas para Ele, basta Ele querer. Espero sinceramente, não virmos a ser vítimas no Nosso próprio êxito.

Será que o Futuro já aconteceu, e Nós nem nos apercebemos disso…? 

Todavia, o Homem mais do que um ser económico é um ser social. De facto Ele não procura salvaguardar o interesse que tem, na aquisição de bens materiais (como por exemplo as máquinas!) e/ou serviços, mas sim garantir o seu próprio status social e os bens socialmente valorizados que possuí. Vivemos numa sociedade que valoriza o “ter” em vez do “ser”. A economia do Homem encontra-se, principalmente, nas inter-relações sociais e materiais. E é aqui que a Criatividade, aliada com o estímulo e o desenvolvimento para a Socialização, contribui fortemente para a Transformação Social. Mas no fundo, isto é um “pau de dois gumes”, porque não deixa de ser contraditório…

Se por um lado, vivemos numa desesperada necessidade de comportamentos criativos e inovadores, para que a sociedade enfrente com êxito os desafios que lhe são impostos diariamente e para assegurar a sua sobrevivência, refiro-me claramente ao “Empreendedorismo”: temos de ter boas ideias todos os dias, vivermos como se fosse o último dia, pensar fora da caixa, blá, blá, blá,…, já chega!!! E se começássemos a pensar dentro da caixa? Porque Nós temos de estar onde os Outros estão! Porque temos de “vestir” a moda, porque o resto,…o resto é desconhecido e é um risco. Vale apena correr esse risco? Por outro lado, a mesma Sociedade não favorece o desenvolvimento criativo das pessoas em geral, particularmente dos bons alunos e futuros profissionais, rotulando-os de: os superdotados e/ou os hiperativos. No mínimo, deixam-nos entregues à própria sorte, e por vezes, penaliza-os por serem diferentemente talentosos, inteligentes, empenhados e criativos. De facto, a Sociedade é mais bloqueadora da Criatividade Humana do que uma fonte de estimulação para ela.

Efetivamente, a Sociedade ao mesmo tempo que impede o desenvolvimento do potencial Humano, solícita e até mesmo cobra das pessoas, nos momentos de crise por um comportamento e desempenho criativo. Sinceramente, não sei se isto é um ato de burrice ou de crime…  

A Criatividade parece ser a (única!) solução à vista para a saída da crise. Mas, mais que inovação e criatividade é preciso não esquecermos a Nossa história, identidade, património, educação, talentos, valores, tradições, hábitos,… Porque a Memória é a inconsciência inserida no próprio tempo…
Sem Memória não há Identidade. O segredo está em preservar a Cultura, para investir no Futuro…



Vânia Campos

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