Conciliação e Produtividade

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A falta de produtividade é, a par da rigidez, um dos grandes males das organizações no nosso país e, em definitivo, na Economia.

Somos criativos e cada vez mais competentes. Vamos melhorando no caráter empreendedor e na gestão de riscos mas, sem dúvida, sofremos de falta de produtividade, que é o “mantra” da economia global. Sem produtividade não há crescimento possível.

Geralmente denominamos “produtividade” o quociente ente os bens ou serviços gerados, expressos em euros, e a unidade de tempo necessária para a sua geração, habitualmente anos ou horas.

A produtividade pode variar ligeiramente, em função da fonte que faz os cálculos mas as conclusões para Espanha são sempre igualmente devastadoras

Enquanto o nosso dia de trabalho é o mais longo na UE15, atingindo as 1.800 horas/ano, a produtividade está no fundo. De acordo com o último relatório do "World Economic Forum", a Espanha ocupa o lugar n º 84, no momento de avaliar a relação entre salários e produtividade, encontrando-se atrás de países como a República Dominicana ou Tazajistán.

Em suma, para produzir o equivalente a um mais países centrais da Europa, seja ele francês, holandês, dinamarquês, alemão ou britânico, necessitamos de utilizar mais unidades de tempo.

Qual é o papel da conciliação nesta equação aparentemente complexa?

O seu efeito sobre o denominador (unidades de tempo) é nítido e diretamente proporcional. As empresas conciliadoras produzem o mesmo em menos tempo.

Quando exercemos sobre as Pessoas um estilo de liderança e Direção baseados no resultado e não na presença, os efeitos são claros. Não estendemos o nosso tempo de Trabalho. Tendemos a fazê-lo no tempo menor possível.

No setor da manufatura é mais difícil a obtenção de ganhos de produtividade por meio da conciliação, mas não é assim nos serviços (e não nos esqueçamos de que somos um país de serviços), onde o simples facto da implementação de uma cultura de conciliação para introduz melhorias na produtividade e até 15 % de forma instantânea.

Iberdrola, uma das primeiras empresas efr certificadas em 2006, decidiu no ano de 2007 adotar a jornada contínua para todo o ano, constituindo-se a primeira empresa da IBEX 35. Desde então, e como resultado da sua atuação, ganhou-se em cerca de 500 000 horas/ano em produtividade, produzindo, além do mais, benefícios no que respeita ao absentismo ou determinados consumos.

A reflexão agora seria: A conciliação afeta o denominador, o tempo necessário para prestar um serviço mas, pode afetar o numerador? A conciliação pode aumentar o PIB de um país ou de uma empresa por si mesma?

Antes de responder, uma nota

Mesmo que nós não consigamos demonstrar o impacto sobre a conciliação na geração de bens e serviços, simplesmente porque afeta o próprio tempo, é um ganho claro para a sociedade. Se fizermos o nosso trabalho em menos tempo, podemos criar uma sociedade mais completa através de atividades de assistência e cuidados a dependentes, educação dos nossos filhos, voluntariado ou apenas incentivando um maior consumo, que acaba por acarretar. Conciliar é bom por si só! Vamos agora, para a resposta de auto-exigência: Sim, a conciliação também influencia, aumenta o numerador, ou seja, a geração de riqueza, principalmente através do seu casamento com a tecnologia.

A tecnologia permite-nos conciliar. O maior expoente é, talvez, o teletrabalho. As TIC chegaram às nossas empresas há cerca de duas décadas e hoje em dia permite a muita gente fazer um Trabalho à distancia, mais eficiente, mais participativo e, portanto, mais produtivo.

O tempo para participar numa reunião, para verificar um documento, para realizar uma apresentação pode ser agora utilizado para prestar mais e melhores Serviços.

No ano de 2011 estabelecemos uma interessantíssima colaboração com o MIC Productivity (Microsoft Innovation Center Productivity)  para avançar e aprofundar a relação causa-efeito da conciliação com a produtividade.

Na Microsoft Innovation Center (MIC Productivity) temos como objetivo ajudar a aumentar a produtividade dos seus trabalhadores a partir do uso eficiente e da aplicação de boas práticas no trabalho com as tecnologias da iprodutividade.

Com este motivo, ajudamos as empresas a inovar nos seus processos de negócio mediante o uso de tecnologias que aumentem o potencial dos colaboradores.

As tecnologias nas quais estamos a focalizar são as ferramentas, plataformas e soluções que estão orientadas para melhorar a produtividade dos profissionais nos âmbitos da comunicação, do Trabalho em equipa, a colaboração e a procura, o armazenamento e a gestão da informação, principalmente.

Queremos dar a conhecer estas tecnologias, ajudar as empresas TIC a implementar devidamente e às empresas finais a inovar nos seus processos de negócio para torná-las altamente produtivas.

Artigo do MIC

No Centro de Inovação e em produtividade (MIC produtividade) colocamos em foco como as tecnologias podem ajudar as empresas a melhorar a sua produtividade, mas que tecnologias?

Aquelas tecnologias relacionadas com a organização do tempo, a comunicação com outras Pessoas, a gestão da informação, a edição de documentos, o trabalho colaborativo…. Atividades todas elas com uma forte componente humana, mas com uma base tecnológica.

Na adequação “produtividade-conciliação” temos podido corroborar com a nossa experiência que se trabalhamos de forma mais produtiva conciliamos melhor e também o contrário – que se procuramos conciliar somos mais produtivos. Algumas razões são:

Quando um trabalhador sabe que o avaliam pelos resultados, não pelo horário, estará mais motivado para fazer um bom trabalho, mesmo que invista menos tempo.

Pela mesma razão esse foco em conseguir bons resultados num tempo ótimo eleva essa pessoa e, por extensão, toda a empresa, a uma dinâmica de eficiência e eficácia.

Um trabalhador que sabe que tem capacidade para conciliar e, portanto, que pode gerir o seu tempo de forma flexível, fá-lo-á de forma mais inteligente e “à medida”, que deve reger-se por horários pré-estabelecidos “igual para todos”.

Assim, é muito provável que identifique intervalos de tempo ao longo do dia para compatibilizar atividades pessoais com trabalho, ganhando no cômputo global um volume de horas efetivas trabalhadas muito similar ao que teria aplicando o horário habitual (e que não lhe permitiu conciliar).

Muito relacionado com o anterior, um trabalhador que tem certos graus de flexibilidade para poder conciliar, é menos propenso ao absentismo e, portanto, mais produtivo anualmente, como diferentes estudos já demonstraram.

E, por último, um trabalhador que consegue conciliar está mais motivado no trabalho e é mais feliz em geral, o que resulta em qualidade do seu Trabalho, no compromisso e no esforço que é vertido na empresa e, portanto, na produtividade global.

Josep Vilalta, Business Productivity Advisor en el MIC Productivity

 

Roberto Martínez
Diretor Fundación Másfamilia

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