O custo do stresse e dos riscos psicossociais nas organizações

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho publicou recentemente um relatório sobre o cálculo do stresse e dos riscos psicossociais relacionados com o trabalho.

Apesar da escassez de dados que mostram a verdadeira natureza dos encargos financeiros que o stresse e os riscos psicossociais relacionados com o trabalho impõem aos trabalhadores e às sociedades, depois de ler este relatório, ficamos com a noção mais clara que o stresse relacionado com o trabalho fica caro às organizações.

Estas ou ignoram estes dados ou parecem recear que o investimento nesta intervenção, seja ela preventiva ou corretiva, não justifica os potenciais (positivos) resultados.

Este relatório vem demonstrar que ficam mais caras as consequências da não intervenção. São abordados os estudos que têm por objetivo dar orientações para uma estimativa dos custos do stresse e dos riscos psicossociais relacionados com o trabalho, sendo que conclui que os custos mais significativos para as pessoas prendem-se com a deterioração da saúde, do rendimento e da qualidade de vida. Ao nível da saúde, verificam-se problemas de saúde mental, nomeadamente a depressão, doenças cardiovasculares, perturbações músculo-esqueléticas e mais recentemente a diabetes.

No que respeita às organizações, os custos prendem-se com o absentismo, presentismo ou ausência emocional, baixa produtividade ou elevada rotatividade. Ora os custos relacionados com os cuidados de saúde e a diminuição dos resultados das organizações acabam por afetar a Economia e a Sociedade pois os problemas de saúde associados aos stresse crónico relacionado com o trabalho e a uma exposição prolongada a riscos psicossociais no trabalho podem exercer pressão sobre os serviços nacionais de saúde e reduzir a produtividade económica, afetando negativamente o Produto Interno Bruto (PIB) de um país.

Para além dos estudos mostrarem que os encargos financeiros relacionados com o stresse e riscos psicossociais no trabalho são consideráveis, há dados que indicam que as intervenções no local de trabalho, adequadamente planeadas e executadas, centradas na prevenção do stresse, na melhoria do ambiente psicossocial no trabalho e na promoção da saúde mental, têm uma boa relação custo-eficácia. Além disso, desenvolvimentos recentes na investigação psicossocial demonstra que as caraterísticas do trabalho podem ter um efeito positivo e não só negativo sobre a saúde e o bem-estar do trabalhador. Revela-se, pois, importante fazer esta análise dos eventuais benefícios da promoção dos fatores e recursos positivos do trabalho, para uma abordagem abrangente da gestão dos riscos psicossociais.

Para tal, é importante estruturar metodologias e combinar a sua aplicação de forma a identificar e tratar problemas e potenciar os fatores e recursos positivos que existem de forma a fazer uma gestão equilibrada do risco.

 

Emília Costa, Consultora
XZ Consultores, SA

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